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Conheça o Padre Romão, novo pároco da São Vicente de Paulo

Com mais de 18 anos de vida sacerdotal, Romão chega à comunidade para a sua terceira experiência como pároco; missa de posse será dia 25/02 às 19h

Depois de 12 anos na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, o Padre Romão Martins será o novo pároco da Paróquia São Vicente de Paulo, substituindo o Padre Rafael Solano, que foi transferido para a Catedral de Londrina, onde tomou posse no último domingo (11/02). As mudanças de padres fazem parte da lista de transferências da diocese anunciada no dia 21 de dezembro de 2017 pelo Arcebispo de Londrina Dom Geremias Steinmetz. Romão terá o auxílio do Padre José Limeira Sobrinho, vindo da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes.

Romão Antonio Martini Martins é londrinense e nasceu no dia 27 de janeiro de 1967. Passou sua infância e juventude morando no Jardim Ideal, onde participava da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Casoni, junto com os seus familiares. “Minha família sempre foi muito ligada à Igreja”, conta. “Sentia uma atração bacana pelas coisas de Deus e da Igreja. Quando era pequeno sempre falava que queria ser padre”. Quando terminou o ensino fundamental, Romão acabou por ingressar no Seminário Xaveriano, em 1983, onde ficou por três anos, já tendo em vista uma ordenação sacerdotal. Por lá, estudou durante três anos.

Em 1986, quando terminou o ensino médio e estava prestes a iniciar os estudos de filosofia, Romão resolveu deixar o seminário. “Achava que não era meu caminho e que precisava fazer outro tipo de experiência. Com muita determinação eu saí. Seminário para mim era uma página virada e queria dar outro rumo para a minha vida”. Fora do seminário durante um período de cinco anos (de 1986 a 1991), Romão trabalhou em uma rede de supermercados, como arquivista e depois caixa-geral, onde adquiriu grande experiência na área da contabilidade. Na época, também trabalhou como representante comercial de uma empresa do ramo de produtos alimentícios. Porém, a Igreja nunca esteve fora de seus planos. “Naquele tempo tive a convivência de um jovem comum, mas sempre muito engajado na Igreja, como no grupo de jovens. Assumi diversas atividades. Seminário, porém, continuava sendo uma página virada”, afirmou.

No início dos anos 1990, no entanto, as ideias começaram a mudar na cabeça de Romão. Ele, que ganhava um bom salário e possuía um bom carro, voltou a pensar na vida sacerdotal. “Não queria admitir (a volta da ideia de ser padre) porque eu já tinha uma autonomia. Voltar ao seminário seria voltar à dependência, aquela vida de disciplina, comunidade, que para mim não seria fácil. Mas quando vi, deixei tudo. Conversei com os padres e voltei para o Seminário Xaveriano”.

De volta ao seminário, em 1991, Romão se mudou para Campinas. Lá, ele conta que havia a necessidade de trabalhar fora, e arrumou um emprego no extinto banco Bamerindus. Aprofundando o seu discernimento, chegou à conclusão de que não se identificava totalmente com o carisma Xaveriano (Ad Gentes), focado nas missões. “Não tinha propósito de ir para fora do país. Achei que teria dificuldades”, confessa o Padre que, em 1992, em uma conversa com Dom Geraldo Majella, expressou sua vontade de vir para a Diocese londrinense. Com isso, foi estudar no Instituto Filosófico de Apucarana (IFA) – onde ficou até 1994.

Retornando à Londrina em 1995 para estudar Teologia no Instituto Teológico Paulo VI, Romão trabalhou com o Padre Manoel Joaquim na Paróquia Sagrados Corações durante dois anos, e outros dois com o Padre Laudino na Paróquia Nossa Senhora da Paz. Em março de 1999, foi ordenado sacerdote por Dom Albano Cavallin e um mês depois já assumiu a própria Paróquia Nossa Senhora da Paz.

Experiências paroquiais

“A Nossa Senhora da Paz era uma paróquia que tinha um histórico muito complicado de conflitos no passado e já vinha com 9, 10 anos de muito sofrimento, mas eu fui muito feliz lá. Tenho que levantar as mãos aos céus. Meu caminhar junto com a comunidade foi abençoado, penso que deixei lá a minha contribuição e recebi muito também. A passagem foi marcante sobre vários aspectos – pastoral, espiritual e material”, diz.

Um ano depois de ordenado Padre, Romão foi nomeado como ecônomo da Arquidiocese, o que em suas palavras conta que foi um “trabalho árduo”, pois teve que implantar um modelo de contabilidade que a Arquidiocese não possuía. “Nada era organizado. Foi um trabalho passo a passo e que valeu a pena. Eu estava assessorado por pessoas competentes.

Romão seguiu na Paróquia Nossa Senhora da Paz até 2006, quando assumiu a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. “Em agosto de 2005, quando o Padre Carmelo morreu, o (Dom) Albano me pediu para ir para a Auxiliadora. Fui contra a minha vontade, confesso, e sim pelo respeito e carinho que tinha pelo bispo”, afirma Romão. Segundo ele, o trabalho na Arquidiocese tomava metade de seu tempo e “casava” com o trabalho em uma paróquia de menor porte. Já na Auxiliadora, uma paróquia maior e com mais atividades, ele seria mais exigido. Romão assumiu a sua nova paróquia em fevereiro de 2006. Em 2007, deixou o serviço de ecônomo e em períodos distintos atuou nas funções de vigário-geral e chanceler da Arquidiocese.

Sobre a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, Romão diz trazer muitas lições. “Minha passagem por lá me proporcionou um crescimento extraordinário em todos os aspectos. Existem igrejas que são caracterizadas por um único tipo de público. A Auxiliadora é admirável pois tem todos os tipos de rostos: crianças, jovens, adultos, idosos, homens e mulheres. Uma paróquia de centro, mas uma paróquia em que o rico e o pobre convivem no mesmo ambiente e se aceitam. Um povo realmente muito bom. Conheço comunidades onde isso não acontece”. Em 2012, após duas recusas a Dom Orlando Brandes, Romão se torna diretor da Rádio Alvorada, o que afirma não ser fácil. “Assumir a administração de uma rádio não é fácil. O custo é caro, o mercado publicitário não está fácil também. Londrina tem muitas emissoras e veículos de comunicação. A rádio veio de gestões muito difíceis, mas graças a Deus consegui encontrar pessoas muito boas, comprometidas, e estamos em uma situação equilibrada”, complementa.

Mudança

Em dezembro de 2017, Dom Geremias Steinmetz anunciou a transferência de 33 padres da diocese que estariam com mais de cinco anos em suas comunidades, e o nome de Romão estava na lista. “Nós padres sabemos que cedo ou tarde teremos que mudar. Eu já imaginava que não iria ficar muito tempo na Auxiliadora. No começo o que me segurou foi o meu vínculo com a Arquidiocese, depois a questão da rádio e a construção do Espaço Dom Bosco. Eu, de certa forma, já tinha o coração preparado. É claro que não é fácil mudar de Paróquia, mas a gente já sabe que isso faz parte da vida do Padre. Sempre procurei acolher o que Deus quer, mais do que manipular as coisas e tentar prevalecer a minha vontade. Quando fui para a Auxiliadora, não achei que o bispo estava certo. Deixei as coisas fluírem e fui muito feliz lá”. Romão disse que ficou surpreso com a saída do Padre Rafael. “Confesso que achava que eu iria para uma paróquia de periferia, saindo do Decanato Centro. Não imaginava que o Rafael sairia da São Vicente. Quando saiu minha nomeação para cá, recebi mensagem de pessoas que eu nem conhecia, me dando as boas-vindas, muito bacana”, completa.

Padre Romão também se posicionou sobre alguns temas específicos. Confira abaixo.

Papel do leigo  

“O papel do leigo é o de assumir o Batismo. O Batismo faz com que o leigo seja protagonista da sua caminhada cristã. O leigo não é um espectador, ele é o que está junto e o que faz acontecer. É a razão de ser da igreja. Quando o leigo ocupa o seu espaço, ele está assumindo o que é de seu direito. Nesse sentido nossas igrejas, especialmente em Londrina, são igrejas que favorecem os leigos a assumir esse direito. Coisas muito boas têm acontecido em nossa igreja porque temos um laicato atuante, dedicado, que de fato põe as mãos na massa. Vejo com bons olhos e acredito que o caminho seja esse. Quanto mais a gente favorecer o leigo na igreja, mais nós enriquecemos, mais nós crescemos e mais longe nós vamos”.

Madre Leonia Milito e Dom Albano Cavallin

“Confesso que conheço pouco sobre a Madre Leonia. No entanto, sei que foi um testemunho fidedigno, uma vida consagrada que de fato cumpriu o seu papel: primeiro na vivência do carisma, depois na pregação de outro carisma que tem sua influência não só em Londrina, como também no Brasil e no mundo, que são as Irmãs Claretianas. E isso nasceu do empenho da Irmã com Dom Geraldo Fernandes. A capacidade de enxergarem longe, que Londrina poderia dar sua contribuição para a evangelização do mundo. Isso foi de fato fantástico. Penso que é justo esse processo de canonização, pois testemunhos favoráveis não faltam. Santo não é aquele que faz coisas extraordinárias, e sim aquele que no ordinário da vida, no comum, vive a vontade de Deus de uma forma fiel. Nesse sentido Madre Leonia foi fantástica.

Sobre Dom Albano sou suspeito a dizer. Sempre tive uma proximidade muito grande com ele. Existem pessoas na vida que você conhece e, com o tempo,você se decepciona e se desencanta e existem pessoas que você conhece e se encanta cada vez mais. Com Dom Albano foi assim. Um bispo humilde. Uma humildade que fazia com que todo mundo se sentisse bem na presença dele. Também era um homem da comunicação. Onde ele ia, tinha algo a dizer, e eram coisas sábias, com propriedade. Acompanhei-o em vários lugares e sua presença impunha respeito. O jeito dele transmitia bondade. Um bispo brilhante, que trabalhou ao máximo enquanto pôde e foi, principalmente, um homem de Deus”.

Intereclesial

“Primeiramemte, no Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) não participam apenas as CEBS e/ou apenas comunidades da igreja. Participam também movimentos sociais que defendem as minorias, como o movimento indígena, quilombola, movimentos de defesa dos direitos humanos e etc. Segundo: a abordagem foi a vida na cidade, os desafios, saneamento básico, ecologia, educação, entre outros. Os diversos grupos têm o que dizer sobre a sociedade; partidos têm o que dizer, assim como as ONGs, os movimentos sociais e a própria Igreja. Confesso para você que não vejo como negativo a presença de representantes de partidos em um evento como esse. O que eu não vejo como normal é representantes de um só partido. Eu não demonizo partidos, embora ache que no Brasil os que existem não são sérios. Nenhum. Nem de direita e nem de esquerda. Não utilizo termos (direita e esquerda) nas minhas homilias, porque acho que nem uma nem outra é perfeita. Ambas possuem os seus pecados. A ideologia é péssima porque ela é um pacote que tenta se impor para as pessoas, e um pacote sempre tem coisa boas e ruins. No entanto, podemos tirar coisas boas de cada lado […]

Foi muito mal a Igreja ter permitido que entrassem com aquelas faixas. O bispo e a direção das CEBs, quando viram aquelas faixas, deveriam ter tirado na hora. Nos eventos das CEBs o povo chega como quer e pendura o que quer, nós é que não estamos acostumados. Tanto é que tinham outras faixas, mas que não tiveram visibilidade. O erro foi da direção de não ter tomado atitude. A gente sabe que não veio da organização esse ato. Acredito que no fundo a Igreja até deveria um pedido de desculpas à população, porque isso causou escândalo. Foram apresentadas imagens reais, mas com informações que nem sempre foram verdadeiras. Cada um interpreta como quer. Não se deu o direito das pessoas envolvidas falarem e isso gerou muita repugnância. Acho que o negócio agora é olhar pra frente. Partidos tentam tirar vantagem das CEBs porque elas se importam com segmentos que muita gente da Igreja não se importa. E isso não é algo que acontece só com as CEBs. Os oportunistas vão sempre aparecer. Nós é que temos que ter a esperteza de não se deixar enganar. Precisamos de humildade. Humildade por parte dos padres, lideranças, e também do rapaz que fez as denúncias. Humildade de todos para vermos onde acertamos e onde erramos, e para que no futuro as coisas sejam melhores”.

Mensagem à comunidade

Romão disse não possuir no momento nenhum plano de ação específico para a Paróquia, e que terá maior consciência do trabalho a ser feito depois que tomar posse, no dia 25 de fevereiro. No entanto, o nosso novo pároco já deixou a sua mensagem. “Aos fiéis da São Vicente de Paulo, venho de coração aberto. Sei que para vocês não é fácil a mudança. Vocês estavam caminhando muito bem com o Padre Rafael, que é uma pessoa que admiro, assim como não é fácil para mim, depois de 12 anos em outra Paróquia, estar aqui. O que me enche de esperança é que estou em um lugar bom, com pessoas boas e comprometidas, e vou procurar dar minha contribuição junto com esse povo. Que Deus nos ajude e estejamos todos de coração aberto para aquilo que Deus quer de nós. A evangelização hoje é desafiadora porque o mundo muda muito rápido. As diferenças são muito grandes, mas Deus nos concede a luz e sabedoria para superar as dificuldades. Despojamento também vejo que é essencial e a solidariedade deve marcar nossas ações, principalmente para essa Paróquia que é dedicada a São Vicente de Paulo, que teve tanta sensibilidade para com os mais pobres. Solidariedade, missão e bíblia, os três elementos fundamentais e que devem estar presentes na vida da Igreja”, concluiu.

A missa de posse do Padre Romão Martins será no dia 25 de fevereiro (domingo) às 19 horas.

Por Edson Neves

 

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