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“Muito obrigado por terem feito o padre que eu sou”

Com belas celebrações repletas de homenagens, comunidade se despede do Padre Rafael Solano

Dias de festa e muita emoção. Assim podemos definir o último final de semana na Paróquia São Vicente de Paulo, onde foram organizadas as celebrações de despedida do Padre Rafael Solano, que será o novo pároco da Catedral de Londrina, após a primeira experiência como pároco na comunidade.

As celebrações contaram com diversas homenagens e demonstrações de carinho. Na sexta-feira (2), após a missa, ocorreu uma festa em formato de partilha com paroquianos e integrantes de movimentos e pastorais. No sábado (3), a homenagem foi por parte dos jovens, com os grupos Sedecias e Príncipe da Paz.

Já no domingo (4), nas últimas missas como pároco, o padre Rafael recebeu a homenagem das Irmãs Claretianas e Vicentinos (na missa das 8 horas); das crianças da catequese e escolinha de Jesus (missa das 10h30) e da comunidade, pastorais, movimentos, CPP, setores e música (19 horas).

Na homilia das três missas de domingo, Rafael buscou, na liturgia de Jó – um homem sofredor – mensagens de esperança. Leia alguns trechos das homilias abaixo:

“Ter preparado esta última homilia não foi nada fácil. Sentar no computador e tentar extrair algumas palavras, não com sabor de despedida e sim com a reflexão da palavra deste domingo. […] Não tive nenhuma dificuldade em sair do seminário, pois saí juntamente com aqueles que seriam ordenados presbíteros e que partiriam em missão. Lá, não tive que passar por este momento. Descrever a minha última homilia, naquela que sempre será a minha primeira paróquia […] Sempre tive a consciência, do dia que comecei a minha missão aqui, e também do dia que teria que sair. Jó nos ensina a passar o tempo […]”.

“[…] A tristeza de Jó é que ele ficou sem amigos, sem filhos, porque todos os abandonaram. Ele ainda não havia compreendido que existe uma virtude que supera todas as dores, capaz de realizarmos na autonomia da nossa fé, e que um dia transforma todas as nossas preocupações em alegria. Trata-se da esperança”.

“[…] Cheguei há quatro anos com a melhor das boas intenções. Mas com a certeza que aquele que seria caminhar conosco seria o próprio Cristo, aquele que já tinha carregado a cruz e esperançoso, chegando no calvário, poderia mais uma vez vencer todos os sinais de sofrimento, tristeza e abandono. Ao longo destes quatro anos aqui, nunca me senti abandonado. Muito pelo contrário, me senti acolhido, compreendido e amado. […]

“[…] Os meus dias aqui estavam contados. E sabia disso. Mas não sabia que iria me apaixonar tanto pelo povo de Deus. Me apaixonei pelos casais de segunda união, pelo grupo de recém casados, pelos casais que dia após dia procuram a fidelidade conjugal, encontrando a responsabilidade de santificação, pelos jovens, adolescentes, pelas crianças da catequese. E sobretudo pelos doentes. Cada visita a um doente, para mim, foi muito mais que uma aula de teologia. Foi um encontro com o Cristo que sofre, na esperança de ressuscitar. A caridade nesta paróquia me deu uma lição, através da Cáritas e dos Vicentinos. Me ajudaram a compreender que ser padre não é uma profissão…que ser pároco não é um trabalho qualquer. É nada mais nada menos do que aquela mesma expressão utilizada por Paulo (“ai de mim se eu não anunciar o evangelho”). Talvez muitas vezes anunciei a mim mesmo. E por isso peço perdão. Faltou-me, em muitos momentos a fidelidade do pastor, e assim como Paulo, reconhece que cada vez mais priorizando o rebanho, deve nos conduzir a servir a todos e a todas indistintamente”.

“[…] Da mesma forma que Jesus passou na Galiléia, ele passou nessas ruas, prédios, jardins, escolas, asilo e tantos outros lugares. Infelizmente não consegui acompanhar o caminho do Senhor, mas em mim há uma gratidão profunda. Cada vez que passar por esta avenida (Madre Leonia Milito), não direi ‘passei por esta avenida’ e sim ‘nesta avenida ficou uma boa parte da minha história’ […] Muito obrigado por terem feito o padre que eu sou. Se não tivesse vindo para esta Paróquia, não seria quem hoje eu sou. Vocês foram meus mestres, vocês foram meus médicos da minha alma. Vocês ficarão na história da salvação deste grande pecador. Peço que rezem por mim”.

A missa de posse do Padre Rafael na Catedral de Londrina está marcada para o dia 11 de fevereiro, às 10h30.

Por Edson Neves

 

Entrada das Irmãs Claretianas e Vicentinos

Homenagem das crianças

Homenagem irmãs claretianas

Galeria | Despedida Pe. Rafael Solano

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