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Dom Geremias Steinmetz comenta sobre primeiro ano à frente da Arquidiocese de Londrina

Em entrevista exclusiva ao site da Paróquia São Vicente de Paulo, o Arcebispo de Londrina falou sobre vários assuntos, entre eles a de correr contra o tempo. “Disseram que tivemos que trocar o motor do avião com ele no ar”

Uma espécie de “balanço” de seus primeiros meses à frente da Arquidiocese de Londrina. Este foi o tom da conversa com Dom Geremias Steinmetz. Nomeado como Arcebispo Metropolitano de Londrina, cargo que estava vacante desde a saída de Dom Orlando Brandes para a Aparecida, Geremias tomou posse no mês de agosto e vai encerrando o seu primeiro ano comandando a nossa diocese.

O Arcebispo atendeu em uma sala no próprio Centro Pastoral e a conversa durou aproximadamente vinte minutos. Geremias respondeu sobre o contato com líderes e população, dificuldades do dia-a-dia, Intereclesial das CEB’s e planos da Arquidiocese para 2018. Atendendo a pedidos do próprio Arcebispo, o tema “transferências” não foi colocado em pauta. Segue abaixo a conversa:

SVP: Em novembro de 2016, Dom Orlando Brandes – então Arcebispo de Londrina e uma figura que até hoje é muito querida por nossa comunidade – foi transferido para Aparecida, tomando posse no fim de janeiro de 2017. Já em fevereiro deste ano, a cidade recebeu uma triste notícia: a morte de Dom Albano Cavallin. A partir daquele momento Londrina, que já estava sem Arcebispo, perdeu uma pessoa importante na história de toda a Arquidiocese. Devido a estes dois fatos ocorrerem em um curto espaço de tempo, logo quando você foi nomeado (em junho) até a sua posse (em agosto), qual foi o seu pensamento sobre a responsabilidade diante do trabalho a ser feito à frente da nossa Arquidiocese?

Dom Geremias: Em primeiro lugar foi tentar ler bastante sobre a Arquidiocese, de modo que li muitos boletins, dois ou três livros e assim fiquei tentando compreender a caminhada pastoral da Arquidiocese. E também tentando entender a figura de cada um dos citados, especialmente a grande figura de Dom Albano Cavallin e também do trabalho especialmente iniciado por Dom Orlando, como as Santas Missões Populares (SMP), em vista da preparação do 14º Intereclesial das CEB’s, que acontecerá aqui em Londrina. Então foram esses três meses de bastante preparação, de muitas conversas, com algumas reuniões que participei aqui, especialmente com o Colégio de Consultores e assim foi acontecendo a preparação. Afinal de contas, quando se é nomeado você tem um pouco da missão de “fechar” o trabalho da Arquidiocese que a gente deixa para depois assumir com tranquilidade a Arquidiocese para qual você vai.     

 SVP: Na missa da sua posse como Arcebispo, você citou como parte do seu trabalho a questão do diálogo com as lideranças e o contato com os presbíteros. Nas suas palavras na época, “me reunir com todos eles, conhecê-los bem e ouvir suas expectativas”. Você conseguiu estabelecer este contato com essas lideranças católicas?

Dom Geremias: Bem, eu conversei com muita gente, entre grupos e pessoas. A gente sim conseguiu conversar estabelecendo ideias e um ou outro objetivo. Mas especialmente as pessoas vinham se apresentar, não era ainda um trabalho de orientação pastoral, simplesmente, mas elas vinham apresentar o seu trabalho, suas expectativas e tudo isso, devagar, a gente vai também sintetizando, tendo em vista que, provavelmente, durante 2018 nós teremos um grande trabalho de síntese pastoral, no sentido de conseguir determinar de maneira melhor alguns caminhos de que a Arquidiocese precisa tomar daqui para frente.  

 SVP: Daqui a um mês, praticamente, a cidade de Londrina será palco de um importante evento da Igreja chamado Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEB). Gostaria que você comentasse sobre os preparativos finais desta celebração. A Arquidiocese já está pronta para receber esta edição? O que ainda falta?

Dom Geremias: Os últimos contatos que eu tive com a comissão organizadora é de que tudo está pronto para o evento. Muitas paróquias envolvidas, muitas equipes que cuidarão da infraestrutura, até porque serão pelo menos cinco dias de encontro, em que precisa haver uma equipe de cozinha, outra de limpeza, assim como um trabalho de animação dos grupos, o transporte do pessoal, as famílias que receberão os participantes. Tudo isso está preparado. Uma das questões também que sempre se chama a atenção neste tipo de evento é exatamente a questão econômica, de modo que a Arquidiocese de Londrina fez um bom planejamento dos gastos econômicos que se deverá ter do começo ao fim do encontro, com alimentação, transporte, som, materiais, música. Tudo isso foi planejado economicamente para que agora seja colocado em prática. Podemos dizer com tranquilidade que o orçamento previsto já está praticamente liquidado, no sentido que já temos este dinheiro para trabalhar o Intereclesial. Inclusive mandei uma mensagem para o Brasil inteiro para que as pessoas que venham participar, possam se sentir aqui muito à vontade.       

SVP: Ainda sobre o Intereclesial, as três últimas edições tiveram como temas “Espiritualidade Libertadora” (11º – 2005) sobre o trabalho para com os excluídos; “Ecologia e Missão” (12º – 2009), sobre o consumismo e a sua consequência acerca da Ecologia; e “Justiça e Profecia a serviço da Vida” (13º – 2014), que falava sobre as Romeiras. Falar sobre os “desafios do mundo urbano” – edição deste ano –  é um tema mais do que coerente, analisando o no nosso atual contexto político-social?

Dom Geremias: Sim. Sem dúvida que é um tema bastante atual, porque o problema da pastoral urbana, da transformação do mundo urbano que nós vivemos no Brasil, trouxe junto muitas consequências e questões que até agora não estão resolvidas. Muitas das nossas cidades não têm, efetivamente, os serviços básicos para oferecer aos seus moradores. Grande parte delas não têm saneamento básico, não têm água suficiente, nenhum cuidado com a questão da ecologia e o transporte público sempre é um grande problema. Tudo isso será levantado em discussão pelo Intereclesial, assim como a saúde, a educação e os problemas de moradia. Temos que sempre dizer que Londrina é vista como uma dessas cidades – das melhores do Brasil – e que mesmo assim aqui a gente encontra grandes questões do mundo urbano ainda não resolvidas.

 SVP: Na coletiva que antecedeu a abertura do Ano do Laicato, o senhor sugeriu um maior ativismo desse grupo (leigos) para com assuntos como a política, por exemplo, justificando que a CNBB e a Igreja em geral, quando se posiciona, necessita “medir as palavras” para debater temas como este. Como está o seu diálogo com as autoridades locais (londrinenses e paranaenses)?

Dom Geremias: Nós temos conversado com várias pessoas. Eu estive na Câmara de Vereadores, onde fui praticamente entrevistado por eles. Membros da Segurança Pública aqui em Londrina trouxeram uma proposta para ser analisada pela Arquidiocese, então demos alguns passos no diálogo. Se tratando de autoridades, alguns vereadores sempre buscam meu apoio para uma questão ou outra a nível de cidade. Então tem sido muito interessante. Temos conversado também com pessoas na área da Justiça. Existe um grupo de juristas católicos em Londrina, que também se reúne e já tivemos duas boas conversas para levarmos adiante alguma proposta, especialmente na área da educação política em 2018. Sempre digo que nos falta esta educação política e não fé. Então muitas vezes nosso povo não tem educação política, portanto continua pensando com “pensamento de cifrão” – quanto ganho por isso? Quanto ganho por aquilo? – enquanto a nossa contribuição nossa como seres políticos é exatamente construirmos com o nosso voto, pessoas com altíssima confiabilidade, que vão cumprir efetivamente uma grande missão junto à administração pública. Em outros municípios não pude ainda conversar com prefeitos e vereadores, só fui para celebrar. A nível de Estado, já estive duas vezes com o governador para discutir questões importantes do Paraná e também de Londrina. Por exemplo, tivemos agora a questão do despejo de Pinhão (no dia 01 de dezembro houve conflitos na cidade do centro-sul paranaense por causa de reintegrações de posse. Vinte e duas famílias tiveram suas casas destruídas, além de um posto de saúde e a Igreja local também sendo demolidos), onde bispos estiveram conversando com o governador (esta comissão foi até Curitiba no último dia 7) sugerindo medidas para que de fato este problema, que foi uma agressão muito grave ao povo paranaense, não se repita. Então está sendo assim a conversa com autoridades. Temos caminhado e os problemas que vão surgindo despertam em nós o diálogo.      

SVP: Este primeiro semestre de trabalho como Arcebispo de Londrina atendeu às suas expectativas? Conseguiu realizar o que foi planejado? Existiu, neste período, um momento maior de dificuldade?

Dom Geremias: Dificuldades sempre existem. O maior momento de dificuldade é exatamente que vamos correndo contra o tempo. Há muita coisa a ser feita e em quatro meses de trabalho aqui, temos atendido muita gente e poderíamos dizer que ser nomeado em junho, assumir em agosto, já vem com a missão de começar a preparar o ano seguinte. Disseram que tivemos que trocar o motor do avião com ele voando. Continua sendo uma dificuldade. Tem muita coisa a se fazer e o tempo vai nos espremendo. Pouco a pouco vamos dando sugestões para os trabalhos do ano que vem. Vão acontecendo reuniões e a gente precisa pensar em coisas mais estruturais no trabalho pastoral em Londrina. É isso q tem sido o trabalho e a dificuldade. Devo dizer q aqui trabalhei bastante e, por aqui, pelo o que estamos vendo pela programação que surge, deve continuar neste ritmo.

 SVP: O que podemos esperar da Arquidiocese de Londrina para 2018?

Dom Geremias: Está acontecendo o processo de uma grande assembleia diocesana de ação evangelizadora. Em outubro formamos equipes que estão trabalhando. Teremos esta semana mais uma reunião neste sentido: avaliar o trabalho, para que possa acontecer uma boa avaliação do Intereclesial e do que colhermos do evento, dar continuidade na pastoral aqui na Arquidiocese. Mas depois, uma outra coisa em andamento são as Santas Missões, que também trazem muitas questões a serem refletidas e/ou levadas adiante, ou pelo menos a serem valorizadas nas opções que teremos fazer no trabalho dos próximos anos. Além, naturalmente, no trabalho de avaliação do 16º Plano Diocesano de Ação Evangelizadora (PDAE) – que está quase terminado – e que agora precisa ser refeito e posteriormente reavaliado. Pastoralmente falando, esses planejamentos já estão ocorrendo.

 SVP: Espaço aberto para complementações

Dom Geremias: Sabemos que que a cultura de hoje está cada vez mais exigindo de nós presença de espirito, no sentido de saber exatamente o que estamos fazendo; sabermos também trabalhar o suficiente para fazer as coisas acontecerem, e sabermos também, por outro lado, que estamos nas mãos de Deus. O trabalho de Igreja é o próprio Espirito Santo que conduz, então nós temos que ter consciência suficiente para que de fato possamos ajudar, colaborar com o Espírito Santo na implementação das grandes questões da Igreja que hoje precisamos fazer. Gostaria de agradecer a entrevista e, sobretudo desejar um feliz e santo Natal, um próspero ano de 2018.  

 Por Edson Neves

 

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