“Ser leigo sempre foi objeto de evangelização”, disse Dom Geremias Steinmetz

 O Arcebispo de Londrina, Dom Geremias Steinmetz, convocou uma coletiva de imprensa para falar sobre a 1ª Celebração de Carismas e Ministérios, que acontece no dia 26 de novembro (domingo), às 17 horas no Ginásio de Esportes Moringão. Nesta celebração, será aberta de forma oficial o Ano Nacional do Laicato, que vem em substituição ao Ano Nacional Mariano, celebrado entre 2016 e 2017.

“O tema vinha sendo muito discutido há anos pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Por conta do pensamento muito profundo e bonito do Concílio Vaticano II, a Igreja quis convocar este Ano Nacional do Laicato para dar visibilidade a toda esta questão do trabalho dos leigos na Igreja. O Concílio colocou a Igreja em uma percepção de igualdade, já que a nossa fé depende do batismo e não de uma hierarquia. O batismo é o sinal de igualdade de todos os cristãos”, disse o Arcebispo, reforçando que os considerados “leigos” são aqueles que não possuem o sacramento da ordenação ou que ainda não possuem os votos religiosos. Ele estima que 95% dos católicos se encaixam neste quesito.

Usando uma frase do documento de Puebla (1979), em que “o leigo é o coração do mundo no coração da igreja e o coração da igreja no coração no mundo”, Dom Geremias explicou que o trabalho dos leigos não se limita apenas dentro da Igreja, e que as suas vocações podem se evidenciar no cotidiano. “Conhecendo e vivendo o evangelho, ele (leigo) vive a sua fé nas diversas realidades do mundo: no trabalho, na educação, na família, e também nas realidades dos mundos da ciência, cultura e artes, por exemplo”, afirmou.

Com as eleições gerais em 2018, o Arcebispo foi questionado sobre o papel do laicato no processo eleitoral, principalmente em um momento delicado da política do Brasil, na qual a CNBB se pronunciou há cerca de um mês. “Hoje nós temos muitas coisas sobre as quais nossa fé tem que se pronunciar. Isso é um problema porque muitas vezes se espera um posicionamento de um Bispo ou da CNBB. Cito isso para dizer que a Igreja, enquanto instituição, deve medir as palavras enquanto se pronuncia em problemas de âmbito nacional. Existem pouco mais de 300 bispos no Brasil. E o laicato? São milhões. Os católicos são sim convocados a se pronunciar sobre os momentos políticos, se não de outra forma, mas tem que ir para a rua ou no mínimo se conscientizar sobre o voto. Não podemos mais votar em qualquer um. Este campo (social) é onde os leigos mais devem se manifestar. Nós do clero não podemos tomar o espaço do leigo no mundo em áreas como política ou economia”.

Baseado em uma declaração feita pelo Papa Francisco, de que a Igreja precisa de “leigos com visão para o futuro”, Geremias considerou essencial a ideia para o trabalho de evangelização. “Estamos tentando, com o Ano do Laicato, uma grande provocação para a Arquidiocese de Londrina para que possamos repensar o nosso trabalho. Tem muita gente bem informada e especializada em áreas que a Igreja não é. Como seria bom se pudéssemos administrar melhor os bens da Igreja para servir melhor os mais necessitados. Pensamos de uma forma, mas hoje temos até possibilidades técnicas para fazer diferente. Deus queira que em 2018 possamos ter novas ideias e soluções para continuar a nossa caminhada como Igreja”.

Ao fim da coletiva, Dom Geremias concluiu dizendo que um dos maiores desafios do laicato londrinense é de sustentar um espírito de união. “Nesses meus três primeiros meses como bispo em Londrina eu tenho ouvido muitas pessoas. Eu tenho orgulho de poder ter convocado esta celebração para gente conseguir mostrar o tamanho do trabalho de evangelização que temos por aqui. Ainda temos falhas, não há problema nenhum em dizer isso. Mas há muita coisa bonita sendo feita. Encontramos aqui pessoas com o pensamento positivo, mas ainda vemos pessoas que realizam uma evangelização de maneira ‘empurrada’. A meta é de criar uma síntese para não dispersarmos o povo, e sim mantê-lo unido ao redor dos fatores considerados importantes”.

Durante o Ano do Laicato será celebrado os 30 anos do Sínodo Ordinário sobre os Leigos e da Exortação Apostólica Christifideles Laici, escrito pelo Papa João Paulo II (1920-2005) em 1988, sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo.

Por Edson Neves

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